Elenco se emociona ao encenar o espetáculo ‘Paixão de Cristo – Ele vive’ no Centro Histórico de João Pessoa

A segunda noite do espetáculo ‘Paixão de Cristo – Ele vive’, nesta sexta-feira (3), foi de muita emoção no Adro do Centro Cultural São Francisco, especialmente para os atores e as atrizes que dão vida à história da morte e ressurreição de Jesus. A encenação, realizada pela Prefeitura de João Pessoa, por meio da sua Fundação Cultural (Funjope), teve sessão dupla e, mais uma vez, atraiu um grande público para o Centro Histórico. A apresentação segue neste sábado (4), com única sessão, a partir das 19h.

“A cidade de João Pessoa viveu mais uma noite especial hoje no Centro Histórico. Muita emoção, muita fé e a esperança renovada a partir da encenação do drama da Paixão de Cristo, um espetáculo que estamos reconstruindo há quatro anos. Restauramos a tradição de João Pessoa ter a Paixão de Cristo, projeto do Governo Municipal e que nós estamos dando desenvolvimento”, iniciou o diretor executivo da Funjope, Marcus Alves.

A montagem, dirigida pelo professor e teatrólogo Everaldo Vasconcelos, trouxe um elenco grandioso, com quase 50 atores e atrizes de João Pessoa e da Paraíba que estão participando do espetáculo, mais a equipe da Companhia Municipal de Dança, cenografistas, equipe técnica, chegando a mais de 120 profissionais do teatro diretamente envolvidos.

“Ficamos muito contentes de ofertar à cidade de João Pessoa um espetáculo de tamanha envergadura. O público sempre presente acolhe e abraça os nossos projetos culturais. O Centro Cultural São Francisco é um ambiente extremamente agradável e propício a esse tipo de teatro de rua. Nós agradecemos a toda a equipe da Prefeitura de João Pessoa envolvida nesse trabalho e também à equipe do Centro Cultural São Francisco, na pessoa do Padre Marcondes Meneses, que sempre acolhe as nossas ações culturais”, agradeceu o diretor.

Maria – A atriz paraibana Lucy Alves, que interpreta Maria, mãe de Jesus, ressaltou a importância da realização da Paixão de Cristo pela Prefeitura de João Pessoa. “Eu acho que é importante continuar essa tradição. É um espetáculo que já acontece há muitos anos, que eu já tive oportunidade de participar na banda e hoje estou como atriz. Também está valorizando um elenco que é 90% paraibano, uma produção feita por nós, na nossa cidade que está em efervescência, gente do Brasil todo visitando a nossa Capital. Podemos apresentar os nossos talentos contando uma história emblemática. É um belo trabalho. Que a gente tenha mais oportunidades de um espetáculo como esse, a céu aberto, com toda a beleza natural de onde estamos, na igreja. Foi uma noite muito especial”, avaliou.

Jesus – O ator Bruno Fagundes, que interpreta Jesus pela primeira vez em sua carreira, afirmou que é muito emocionante fazer esse papel. “Jesus Cristo é o maior personagem da humanidade. Estou com um super senso de responsabilidade e, ao mesmo tempo, um pouco nervoso. Mas, o teatro tem um milagre de que tudo sempre dá certo. Obrigado por me receberem e espero estar fazendo jus a uma história milenar e que já foi contada tantas vezes, tão lindamente em João Pessoa. Muito feliz por estar aqui”, afirmou.

Anjo – Para a cantora Wanessa Camargo, que vive o Anjo, o momento é muito especial. “Eu estou muito feliz e honrada de estar fazendo parte disso. É uma equipe muito competente, com profissionais incríveis. Fico muito feliz de ver um espetáculo como esse porque eu acredito muito nessa arte disponível para todos. Feliz de estar num espetáculo desse tamanho, que tem um lugar muito especial nesse momento que é a semana de Páscoa, e a Prefeitura fazendo um trabalho bonito para as pessoas. Não é porque é gratuito que tem que ser simples. Tem que ser grandioso para o povo e está muito emocionante o espetáculo, bonito, bem feito”, disse.

Wanessa ressaltou ainda que é muito importante oferecer às pessoas a oportunidade de acesso à cultura, à arte e ao que emociona. “A arte tem o papel de modificar nossa alma. Isso engrandece e nos faz ter mais fôlego para a vida. Eu acredito muito na cultura e fico muito feliz quando vejo iniciativas que olham para a cultura com carinho e é isso que está acontecendo aqui”, acrescentou.

Simeão e Tomé – Interpretando Simeão e Tomé, o ator Beto Quirino destacou que sempre é interessante contar a história de Jesus. “O que estou gostando este ano é a visão que colocaram sobre determinados aspectos como, por exemplo, a mulher ganhando mais espaço na história. Também a própria visão sobre o final de Judas, que não está tão chocante. Além disso, tem um Jesus mais humano, no sentido de dançar, de chegar junto. Para mim é uma experiência muito boa porque estamos trabalhando com uma equipe muito profissional e isso vai desde quem está cuidando da limpeza até os atores. Se há interação de uma equipe, o resultado só pode ser um bom trabalho”, afirmou.

João Batista – O ator Pablo Câmara, que interpreta João Batista, retornou ao espetáculo após uma década. “Viver João Batista, para mim, de fato, é estar aqui dentro com uma missão do João Batista original, abrir o caminho para que todos possam lembrar que é mais do que uma peça, é sobre Jesus. Subir no palco como João Batista, olhar para o público e anunciar que o Salvador vai vir, é muita emoção. De todos os personagens que já fiz, este é o que mais me faz sentir privilegiado. Sinto-me honradíssimo ao voltar depois de dez anos”, pontuou.

Ana e Jezebel – Juciene Fernandes, que interpreta Ana, a profetiza, e Jezebel, a mulher adúltera, contou que atuar na Paixão de Cristo representa suas raízes, já que vem de uma família muito católica. “Reviver a Paixão de Cristo está sendo mais do que especial. Minha avó era muito católica e hoje, infelizmente, não está mais aqui. Então, é uma homenagem para ela. É um momento de extrema emoção. Como Jezebel é uma cena que me toca muito. A personagem cai, é jogada de um lado para o outro, é empurrada, jogada no chão. As pessoas sentem que é real, pensam que a gente se machuca, mas para isso fizemos um trabalho de preparação para não me machucar. Fico muito gratificada. Para mim está sendo maravilhoso”.

Madalena – Fazendo o papel de Madalena, a atriz Maria Betânia da Silva, tem longa trajetória na Paixão de Cristo, desde os anos 1980. Mas para ela, cada edição é um desafio e tudo precisa ser perfeito para dar o melhor para o público. “Madalena era uma mulher que tinha posses, mas não estava feliz. Ela tinha tudo, porém faltava algo. Ao ouvir falar do Mestre, ela se encanta. A missão dela é imensa e, para mim, fazer parte desse espetáculo é um desafio porque o meu instrumento artístico é tocar a alma humana. Tudo que faço é com muito amor, a cura vem desse lugar e a arte também cura”.

Herodes – Intérprete de Herodes, o ator Osvaldo Travassos afirmou estar muito feliz com seu personagem: “Para mim representa muito fazer o papel de Herodes. Ele é colocado como um fanfarrão e hoje estaria na moda – infelizmente – pela história da misoginia. A primeira cena de Herodes é ele mandando prender uma serva que derramou vinho na túnica dele. Ele tem ódio das mulheres, maltrata a esposa Herodias, que também não é flor que se cheire. Ele se dá bem com Salomé porque tem interesse na mulher-objeto. Ano passado fiz Simeão e este ano fui promovido”, brincou. “Para mim é uma satisfação porque é um personagem importante dentro do contexto da Paixão de Cristo”, disse.

Verônica – A atriz Alexandra Oliveira, que interpreta Verônica, comenta que esse papel está sendo inovador. “É uma outra carga emocional que a gente traz para o personagem. Fazer parte desse projeto da Paixão de Cristo representa minha fé, porque eu sou uma pessoa de muita fé e traz muitas lembranças do meu pai, que era muito católico. Ele não está mais presente, mas estava todos os anos na plateia me assistindo. Este é um ano de muita emoção para mim e esse espetáculo também é de muita visibilidade para nós, enquanto artistas. Estou muito feliz”.

Público – O Adro do Centro Cultural São Francisco ficou lotado nas duas sessões do espetáculo ‘Paixão de Cristo – Ele vive’ desta sexta-feira. De Natal, no Rio Grande do Norte, a estudante Poliana de Araújo veio para João Pessoa exclusivamente para ver o espetáculo.

“Eu estava ansiosa. Vi na televisão e queria muito vir. Graças a Deus consegui. É muito importante um espetáculo como esse, gratuito, ao ar livre. Eu preciso dizer que a Prefeitura organizou tão bem que, quando cheguei com minha família, pensei que fosse pago. Realmente muito bom”, parabenizou.

Cristiane Andrade é servidora da justiça e contou que esta foi a primeira vez que viu o espetáculo no Centro Histórico. “Vim assistir para refletir, mas também para mostrar à criança a história de Jesus, para que ela conheça, principalmente, e para ver cultura, privilegiando os artistas e a cultura local. Muito interessante o espetáculo, uma iniciativa muito boa. A Prefeitura está de parabéns”.

A técnica de enfermagem Flávia Lacerda levou a família inteira e contou os motivos que a levaram ao Centro Histórico na noite desta sexta-feira. “Vim por muitas razões, para ver o espetáculo, para prestigiar os artistas e também para refletir sobre o quanto Jesus Cristo nos ama. Esse foi o real motivo. Para mim esse espetáculo é uma oportunidade de aproximar a cultura das pessoas que não têm condições de ir a um teatro. Excelente iniciativa”.

O historiador Eucilânio Gomes foi só elogios ao evento. “Esse espetáculo é a valorização da cultura, porque sem cultura ficamos mais pobres. Sem contar que é tudo gratuito. É um apoio que a Prefeitura nos dá para ter acesso a um evento desse porte, com artistas nacionais. Além disso, valorizando os artistas da terra. A gente vê que a Prefeitura e a Funjope incentivam e dão valor ao artista da terra, especialmente num local como a Igreja de São Francisco”.

De Guarabira, a profissional autônoma Célia Maria Soares afirmou que é católica fervorosa. “Para mim este é um momento cultural, mas principalmente de reflexão. Tudo muito bonito e emocionante”. Já a dona de casa Maria de Fátima da Silva confessou que queria muito ver os artistas de perto e conferir a encenação. “Hoje é Sexta-Feira Santa e eu acho que é um momento especial para ver esse espetáculo. Gosto muito de teatro e não poderia perder essa oportunidade de jeito nenhum”, completou.