Agência Minas Gerais | Mais dois novos trens do metrô chegam a Belo Horizonte
Duas novas composições do metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) chegaram à capital mineira nesta terça-feira (31/3), avançando no processo de renovação da frota. Com isso, três novos veículos já estão em Minas Gerais, e outros dois embarcaram da China em direção ao Brasil, em março.
O primeiro trem, que chegou ao país em janeiro, está em fase final de testes operacionais e deve começar a transportar passageiros no fim de abril. Dois veículos estão em deslocamento para o Brasil, enquanto outros dois aguardam embarque na China. A expectativa é que, até o fim deste ano, dez novas composições estejam em operação. Os trens vão atender às linhas 1 e 2 do metrô.
Ao todo, estão previstos 24 novos trens para o sistema, com investimento de cerca de R$ 700 milhões. Com apoio do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), a concessionária antecipou em dois anos a aquisição da nova frota.
“A chegada das novas composições representa um avanço importante na modernização do metrô da RMBH. Estamos garantindo mais eficiência na operação e melhores condições para quem utiliza o sistema todos os dias”, destaca o secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno.
Testes
Antes de entrarem em operação, os novos trens passam por um rigoroso processo de testes. O primeiro veículo da frota é chamado de “unidade de tipo” e funciona como um modelo de validação. Após a aprovação, ele se torna o padrão para os demais trens, que seguem exatamente as mesmas configurações.
Na fase internacional, ainda na fábrica, o trem foi submetido a testes estruturais e de segurança para garantir a integridade dos passageiros em diferentes condições. Entre eles estão os ensaios de resistência à carga e à fadiga, que avaliam a durabilidade da estrutura e das rodas, além da distribuição de peso para assegurar estabilidade e evitar desgastes nos trilhos.
Também foram realizados testes de vedação, com simulação de chuvas intensas para impedir qualquer entrada de água no interior das composições, além de verificações de dimensões, garantindo que o trem respeite as distâncias de segurança em relação às plataformas e túneis.
Já no Brasil, os testes entram em uma etapa operacional e são realizados diretamente na via do metrô. Nessa fase, são avaliados os sistemas de desempenho e controle, como aceleração e frenagem.
Outro foco importante está na experiência do passageiro. São realizados ajustes no ar-condicionado, testado em potência máxima, além da verificação dos sistemas de informação, como avisos sonoros e painéis de LED. O nivelamento entre o trem e a plataforma também é calibrado para garantir acessibilidade e segurança no embarque.
Ao todo, o primeiro trem será submetido a mais de 90 procedimentos de testes, que somam mais de 2.130 verificações. Até o momento, mais de 80% dessas etapas já foram concluídas com sucesso. O projeto encontra-se em fase de finalização, com ajustes de integração de sistemas e conforto, e previsão de início da operação comercial para o fim de abril.
Tecnologia, conforto e segurança
Os novos trens contam com tecnologias que melhoram a experiência dos passageiros. Um sistema de contagem informa, em tempo real, o nível de ocupação de cada carro, ajudando na distribuição ao longo da plataforma.
As composições possuem câmeras de monitoramento, comunicação direta com o condutor em casos de emergência, internet sem fio e ar-condicionado. Os assentos foram redesenhados, oferecendo mais espaço em relação aos modelos atuais.
Na operação, os trens utilizam sistemas que enviam dados em tempo real ao Centro de Controle e contam com tecnologia de reaproveitamento de energia durante o uso do freio, além de operação automática, que controla aceleração, frenagem e abertura de portas, garantindo viagens mais estáveis e seguras.
Parte dos recursos utilizados para a modernização e ampliação da Linha 1 do metrô da RMBH é oriunda do Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho, assinado em 2021 entre Governo de Minas, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) e a Vale, com o objetivo de reparar os danos provocados pelo rompimento da barragem em Brumadinho, em janeiro de 2019, que deixou 272 vítimas, além de problemas ambientais e socioeconômicos.
