Maior parte da costa fluminense é vulnerável a mudanças climáticas

Por MRNews

A maior parte da costa do estado do Rio de Janeiro pode sofrer com as consequências das mudanças do clima. A conclusão é de um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) que calcula 60% do litoral com vulnerabilidades médias e elevadas, o que indica riscos de inundações e de erosão causada por ondas.

A pesquisa foi desenvolvida pelo doutorando do Programa de Pós-Graduação em Dinâmica dos Oceanos e da Terra Igor Rodrigues Henud, com orientação do professor Abílio Soares. Segundo Henud, soluções naturais, como a restauração de ecossistemas e a ampliação de áreas protegidas, podem ser eficazes para enfrentar os impactos climáticos.

“O intuito foi mostrar que existem regiões e populações vulneráveis. Só que a vegetação e os habitats naturais, englobando dunas, restingas, manguezais, Mata Atlântica, ainda exercem uma influência positiva nessa proteção e, por isso, eles precisam ser preservados”, disse Igor Henud à Agência Brasil.

Lewandowski diz que crimes contra o Estado são impassíveis de anistia

Preço médio das passagens aéreas cai 20% em novembro

Reconhecendo essa influência positiva, o estudo defende a implementação de soluções baseadas na natureza (NbS, na sigla em inglês) como a estratégia mais eficaz para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Isso envolve a restauração de ecossistemas, o manejo adaptativo do território e a proteção de habitats naturais. Além de reduzir riscos, as NbS oferecem benefícios adicionais, como a melhoria da qualidade da água, a mitigação de poluentes atmosféricos e o aumento da resiliência a desastres.

Henud acredita que essas soluções “são ecologicamente sensíveis, economicamente viáveis e sustentáveis no longo prazo”, ao contrário das infraestruturas convencionais.

Os pesquisadores defendem também a proteção dos chamados habitats costeiros, que são considerados ecossistemas estratégicos e que estão fora do escopo de preservação oficial , mas podem ajudar a aumentar a resiliência climática.

Minneapolis protesta após morte de cidadã dos EUA pela polícia do ICE

Anvisa recolhe molho de tomate suspeito de conter pedaços de vidro

Maior risco

A pesquisa considera impactos já observados no litoral fluminense, como ressacas mais frequentes, tempestades intensas e a elevação do nível do mar.

De acordo com o estudo, as duas regiões que estão mais propensas a sofrer impactos das mudanças do clima são o Norte Fluminense e as Baixadas Litorâneas, também conhecidas como Região dos Lagos.

Nessas regiões, características naturais como ventos, ondas e relevo se somam à fragmentação de habitats costeiros, como a remoção de restingas e manguezais, o que aumenta significativamente o alto risco dessas áreas.

Henud e o professor Abílio Simões chegaram a essa conclusão utilizando metodologia desenvolvida por uma universidade nos Estados Unidos, que reúne variáveis ambientais e socioeconômicas.

Foram coletadas várias informações, como dados da Marinha sobre ventos e ondas, dados globais de profundidade dos oceanos, dados de plataforma continental e de vegetação, inseridas depois no software InVEST, que simula o que acontece naturalmente, informou Henud.

Os resultados indicam que a supressão contínua de habitats naturais intensifica os riscos ambientais e amplia a exposição do estado do Rio de Janeiro a desastres de maior magnitude no futuro.

“Por exemplo, se a gente falar de restinga, de manguezal e de Mata Atlântica, se a gente tem essa vegetação próxima da praia, se uma onda bater nessas regiões, ela perde força. Então, geram uma proteção, sim”, explicou o doutorando.

Fatores

Com cerca de 1.160 quilômetros de extensão, a zona costeira fluminense abriga 33 municípios e concentra aproximadamente 83% da população do estado, configurando-se como um território ao mesmo tempo sensível e fundamental para o desenvolvimento socioeconômico.

Essa faixa enfrenta pressão crescente da urbanização desordenada, do turismo de massa e da exploração econômica intensiva, fatores que aceleram a degradação ambiental e comprometem a capacidade de resposta aos eventos extremos.

Por isso, é preciso pensar no fator da proteção porque, quanto mais vegetação houver, maior vai ser a proteção que se vai ter na linha de costa, reforçou. Ele esclarece que não se conseguirá alterar a força das ondas ou o relevo, mas é possível alterar o local onde aquelas populações que estão vulneráveis vão se localizar. A adoção de soluções baseadas na natureza é a maneira de minimizar o impacto das mudanças climáticas, conclui.

Soluções cinzas e verdes

Henud explica ainda que a mitigação das consequências das mudanças climáticas conta com diferentes ferramentas, e algumas soluções foram denominadas soluções cinzas e outras, de soluções verdes.

As soluções cinzas envolvem posicionar grandes pedras na região costeira ou construir muros com concreto, por exemplo. Pode-se ainda colocar sacos de cimento ou de areia para diminuir a intensidade das ondas, ou construir recifes artificiais.

“O cinza vem do concreto, da parte mais urbana”.

As verdes, por sua vez, priorizam o reflorestamento, ou seja, usar a natureza em benefício do ser humano e da própria natureza.